Ganhei um pão. Ganhei fermento natural. Ganhei limões. Ganhei companhia e ouvi histórias. Ganhei muito mais do que ofereci e isso me deu a certeza de que surtar na pandemia foi a melhor coisa que me aconteceu.
Do medo de não dar conta, me vi escolhendo cds antigos para ouvir na estrada. Me vi separando roupas que encheram uma mala mas nunca foram tocadas em 21 dias. Me vi comprando um bolo simples para presentear minha mãe. Um bolo feito por uma atriz e diretora paulistana que uniu o colorido singelo da aquarela com o sabor forte do cacau black para sobreviver enquanto os teatros estão fechados. Me senti inspirada por ela.
No surto, me vi diante do "mundo", a carta mais completa do tarô. A carta que me mostrou que tudo o que eu estava sentindo muito antes da pandemia era tão verdadeiro quanto as contas que não param de chegar. E melhor que isso, que as vontades que crescem no coração são tão possíveis de realizar quanto o pagamento das mesmas contas, que não atrasei.
No surto, entendi que a liberdade só se conquista por meio do amor. E que ser livre é conseguir dizer não. E finalmente valorizar quem se é, apesar dos ruídos externos.
Manifestantes nas ruas com máscaras pretas escondendo o rosto e tochas em punho em tempo de distanciamento social, um presidente cavalgando desmascarado em meio à multidão enquanto milhares morrem diariamente nos hospitais mal equipados. Milhares. Desrespeito à constituição, à democracia. Ao próximo. À vida. Como combater tanto ódio? Há de ser pelo amor.
Pela doação a quem menos tem. Pelo carinho das chamadas telefônicas. Pelos parabéns das festas de aniversário remotas. Pela possibilidade de ficar em casa para que quem precisa sair use o transporte coletivo com segurança. Pelas aulas online. Pelo trabalho em home office. Pela troca de receitas. Pelos livros lidos. Novas bandas descobertas. Maratonas de seriados que nos transportam a realidades fantásticas. Pelos filmes que nos fazem rir. Ou chorar.
São tantas formas simples de amar. Pequenas ações diárias. Como presentear alguém com um pão feito à mão, com um fermento cultivado por dias, pacientemente. O alimento que o profeta multiplicou quando havia fome. Aquele mesmo profeta que ensinou: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei". É, a resposta para tudo só pode ser amor.
Então, que tal multiplicar o pão? Essa receita é de fermento caseiro, também conhecido como levain ou massa madre. A partir dele você pode fazer pão, pizza, focaccia e até cookies.
Separe:
50 gramas de farinha de trigo integral
60 ml de suco de abacaxi (sem água e sem açúcar)
Num recipiente misture bem a farinha de trigo com o suco de abacaxi. Cubra com um pano de prato limpo e deixe descansar num local fresco por pelo menos 48 horas.
Após esse período, acompanhe o crescimento do fermento diariamente. Ele deve estar pronto para uso em uma semana.
O levain deve ser conservado na geladeira em pote hermético. Nunca encha o pote completamente, pois o fermento pode crescer mesmo refrigerado.
Dica 1: Antes de colocar o fermento na geladeira, adicione uma colher de chá de farinha de trigo e misture bem. Isso garante sua alimentação por pelo menos 15 dias. Não é necessário colocar água.
Dica 2: Se você faz pão todos os dias, não precisa manter o fermento na geladeira, basta alimentá-lo duas vezes ao dia com uma colher de chá de farinha de trigo.
Dica 3: Você precisa refrescar o fermento natural antes de preparar o pão: alimente com água e farinha e deixe descansar em temperatura ambiente. A farinha de trigo pode ser comum e a quantidade de água utilizada vai determinar a consistência do fermento. Para um fermento mais líquido, use uma parte de fermento para duas de água e duas de farinha. Depois disso, pode usar o fermento na receita e colocar o restante de volta na geladeira.
Lembre-se de acrescentar uma colher de chá de farinha para prolongar o tempo de armazenamento.
Dica 4: Se você esquecer de alimentar seu fermento por mais de 15 dias, vai notar a formação de um líquido escuro na sua superfície, que é o álcool resultante da fermentação. Descarte o líquido e alimente o levain com água e farinha de trigo. Repita pelo menos uma vez a alimentação em um intervalo de 12 horas antes de usá-lo novamente.
Dica 5: Prepare seu próprio pãozinho:
500 g de farinha de trigo
300 ml de água morna
10 g de sal
150 g de fermento natural de farinha branca. O fermento deve estar refrescado e não pode ser usado direto da geladeira.
Misture bem a farinha e a água morna em uma tigela. Deixe descansar por 10 minutos (ou até 30 minutos se você puder esperar).
Acrescente o sal e misture na massa, logo depois adicione o fermento natural refrescado (evite deixá-lo em contato direto com o sal).
Misture tudo com uma colher de pau e depois com a mão até formar uma massa uniforme. Tente aproveitar toda farinha que ficar grudada nas laterais.
Sove a massa na própria tigela ou em uma bancada levemente enfarinhada.
Cubra com um pano levemente umedecido e deixe crescer por cerca de 4 horas até dobrar de tamanho (se estiver calor é mais rápido).
Despeje a massa em uma bancada, pressione-a para liberar todo ar que se formou internamente.
Modele o pão no formato de bola.
Prepare uma cesta para crescimento da massa. Pode ser um escorredor de macarrão oval ou um cesto de vime coberto com um pano de prato.
Polvilhe bastante farinha sobre a superfície da cesta de crescimento.
Coloque a massa com a emenda virada para cima na cesta de crescimento. Deixe descansar por uma ou duas horas.
Cubra com um pano ou dentro de um plástico e continue o processo de fermentação dentro da geladeira por mais 6 ou 8 horas.
Cerca de 20 ou 30 minutos antes de assar, coloque outra assadeira na parte de baixo do forno e preaqueça-o em 250 ºC.
Tire a massa da geladeira e vire-a na assadeira previamente polvilhada com farinha.
Faça duas incisões longitudinais na massa formando um “X”, com cerca de 1 cm de profundidade. Para isso, utilize um estilete ou uma lâmina de barbear.
Despeje 50 ml de água na assadeira de baixo pré-aquecida e coloque a assadeira com a massa no forno. Diminua a temperatura para 210 ºC.
Espere assar por 30 a 40 minutos até dourar bem. Caso o pão já esteja assado por dentro, mas a casca ainda não, coloque na função gratinar por 5 minutos.
Para saber se o pão está assado, retire-o do forno e bata no fundo. Deve soar oco como bater na madeira. Você pode voltá-lo para o forno caso não esteja assado.
Quando estiver assado, retire do forno e coloque em uma grade para esfriar por 10 minutos.
Dica 6: Para mais receitas consulte o site www.amopaocaseiro.com.br
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