Tô muito orgulhosa hoje. É aniversário da minha vó. 89 anos. Resolvi fazer um bolo para ela. Do jeito que ela fazia quando a gente era pequeno. Bolo branco com recheio de ameixa e cobertura de chantilly com coco. Bem grande e cheio de camadas e com uma decoração duvidosa. A Natalia lembrou das flores. As rosas que a vó recolhia do jardim dela: uma cor de rosa e uma branca. Não temos mais a rosa do jardim porque a vó não tem mais jardim e sim uma "floresta particular", no seu apartamento onde já vive sozinha há 13 anos. Mas temos aplicativos de entregas capazes de deixar um buquê na portaria do prédio em meia hora. Fiz o bolo com minhas referências de confeiteira e da memória afetiva do bolo da vó, que eu adoro e minha irmã não gosta porque é de ameixa. A irmã que faz aniversário um dia antes da vó e decidiu comer bolo de nozes com baba de moça e cobertura de fios de ovos este ano. Estava delicioso. Esta foi a primeira vez que fiz esse bolo. Caprichei. Fui paciente. Segui a...
Uma tragédia: esse é o momento que vivemos no país em que nascemos. Nossa família perdeu amores. E outros amores lutam para sobreviver. A gente se une seguindo protocolos para passar o tempo enquanto as notícias não chegam. E com a gente tem um amorzinho em forma de menina que nos faz rir quando a gente quer mesmo é chorar. Eu fui passar uns dias na casa da prima para consolá-la mas foi ela quem me consolou. E quando cheguei na casa dela, a pequenininha estava preparando um bolo para me receber. Um bolo recheado. Um bolo pão de ló com recheio de brigadeiro branco e ganache de chocolate meio amargo que ela pensou e executou quase sozinha, porque contou com a supervisão da mãe, que se dividia entre o trabalho remoto e a cozinha. Uma delícia de bolo da minha confeiteira preferida. Fiquei uns dias lá com as primas porque precisava de companhia. Precisava de uma rotina que não era a minha. Precisava não ficar sozinha em casa pensando besteira. Além do bolo, teve bolachinhas amanteigadas, ...