Cinco meses guardada em casa. Pai e mãe saindo todo dia para trabalhar. Aula on-line. Sem ver os avós, os tios, os primos. Fazendo bolos, brigadeiro, hot cakes. Aprendendo a bordar. Montando quebra-cabeças para matar o tempo. Cinco meses e uma cafeteria vendida, uma confeitaria reiniciada, abraço nos pais, vinho com a irmã. Mensagens de WhatsApp para os amigos. Fondue, pizza, amendoim. Um pó de café, um pãozinho de fermentação natural, as bolachinhas deliciosas. Tarô, búzios, reiki, meditação. Surto e autoconhecimento. Uma quarentena interminável. Uma tem sete anos, a outra 39. Não resistiram e se abraçaram, enroladas num cobertor. Era muita saudade. E no final teve uma gargalhada sincera de criança para aliviar a culpa do contato. Mas a mais velha já havia passado por uma situação parecida um dia antes: foi entregar uma encomenda e recebeu um aperto de mãos da amiga, que não resistiu e a abraçou no meio da rua. As duas mascaradas sentindo-se ao mesmo tempo abençoadas pelo carin...