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Mostrando postagens de agosto, 2020

filé mignon com molho de parmesão

Cinco meses guardada em casa. Pai e mãe saindo todo dia para trabalhar. Aula on-line. Sem ver os avós, os tios, os primos. Fazendo bolos, brigadeiro, hot cakes. Aprendendo a bordar. Montando quebra-cabeças para matar o tempo. Cinco meses e uma cafeteria vendida, uma confeitaria reiniciada, abraço nos pais, vinho com a irmã. Mensagens de WhatsApp para os amigos. Fondue, pizza, amendoim. Um pó de café, um pãozinho de fermentação natural, as bolachinhas deliciosas. Tarô, búzios, reiki, meditação. Surto e autoconhecimento. Uma quarentena interminável.  Uma tem sete anos, a outra 39. Não resistiram e se abraçaram, enroladas num cobertor. Era muita saudade. E no final teve uma gargalhada sincera de criança para aliviar a culpa do contato. Mas a mais velha já havia passado por uma situação parecida um dia antes: foi entregar uma encomenda e recebeu um aperto de mãos da amiga, que não resistiu e a abraçou no meio da rua. As duas mascaradas sentindo-se ao mesmo tempo abençoadas pelo carin...

bolinho de banana

Entregar as bolachinhas tem me levado a lugares da cidade que eu não  conhecia. Me sinto numa aventura divertida com trilha sonora da rádio local. Outro dia fui parar num fundo de vale atrás do Parque Arthur Thomas, que fica a apenas sete quilômetros da minha casa. A pessoa que encomendou os doces me perguntou se eu entregava tão longe. Quando fui ver o endereço no Google maps e descobri que era pertinho, não hesitei: sete quilômetros  é logo ali.  Crescendo na periferia de São Paulo, num bairro com poucas opções de escolas, hospitais, lojas, mercados, eu me acostumei a sair de casa e percorrer pelo menos dez quilômetros para chegar em algum lugar. A única coisa boa do Novo Mundo era a casa da vó que ficava na rua de trás. Saía do prédio, virava à direita. Na esquina, atravessava a rua e seguia à direita. Cruzava a primeira rua, na segunda rua virava à direita de novo e a segunda  casa era a do quintal com a roseira mais linda do bairro: a da Therê. Eu estudei a vida...