Num ano normal, a esta hora estaríamos todos no sítio. Os homens recolhendo madeira para a fogueira, as tias em suas casas, preparando os quitutes, as primas no barracão, decorando as paredes e o teto com balões e bandeirolas e as mesas com toalhinhas xadrez. Minha mãe bem louca limpando tudo e preocupada que era pouca comida, apesar do panelão de dois quilos de salsicha com molho que ela começaria a preparar um dia antes. Lá pelas oito da noite o povo começaria a chegar, trazendo as comidinhas típicas juninas: cachorro quente, pipoca, bolo de fubá, paçoca, pé de moleque. Na nossa família tem a assorda da tia Ottorina, que não pode faltar: é uma torta feita com pão de forma e recheada com queijo muçarela e frango desfiado bem temperadinho. É a primeira a acabar. O tio Eliseo começaria a preparar o vinho quente no fogãozinho, ao lado da tia Thelma, que é a responsável pelo quentão. A tia Marisa, que já teria preparado um bolo, faria o chocolate quente para as crianças, que mai...