Ela é uma coletânea de sonhos. Ela olha para a lua e consegue enxergar São Jorge piscando, indicando que vai ficar tudo bem. Ela sente quando a primeira estrela da noite está prestes a apontar no céu. Ela sorri quando as três marias dão o ar da graça. As revoadas do entardecer aquecem seu coração e o canto dos pássaros, como o piscar de olhos de São Jorge, indica que tudo ficará bem. Ela adora quando o sol encontra o horizonte, se esconde entre os arranha-céus. O barulho da noite começando a povoar o ar de sons, o cheiro dos bares, os risos, os gritos, carros correndo apressados nas ruas, o silêncio dos mortos ao lado. É tudo tão familiar e tão monótono às vezes. Vontade de pular da sacada e voar lado a lado dos pássaros. Uma revoada particular. Mas é tudo tão fresco, rejuvenescedor, bonito, singelo, tudo tão confuso e, portanto, maravilhoso. Difícil deixar, dizer adeus. Abandonar. Ela é uma coletânea de sonhos. Que se realizaram, que se perderam nos anos. Sonhos que estão, agora, sen...