Ai vai uma história levinha para aliviar a tristeza dos dias guardados em casa. Há uns cinco anos mais ou menos, eu e minhas primas decidimos organizar uma festa surpresa para um casal de tios que faz aniversário com poucos dias de diferença. São nossos tios caçulas: Marisa e Elíseo. Tão queridos que tudo o que acontece de bom na família é para eles que corremos contar. Perdemos as contas de quantos casamentos eles foram padrinhos. Nossos arianos tão diferentes e complementares também são um porto seguro para os dias ruins.
Pois eles ganharam uma festa surpresa, com direito à família reunida, salgadinho, bolo, cerveja e a cara do tio toda suja de brigadeiro que a Isa, então com dois aninhos, devorou no colo dele. E teve uma batelada de foto doida que a tia sempre faz questão de tirar com a sobrinhada que ela tanto ama.
Esse ano, a gente tinha até planejado uma nova festa, pelos 60 anos da tia, mas a quarentena adiou tudo. Ao invés de nos reunirmos na casa de alguém, com churrasco, cerveja e bolo gelado de coco, fizemos uma videochamada. Os tios de pijama. E todo mundo cantando parabéns pelo whatsapp.
E claro que não podia faltar bolo. A tia, tão famosa pelo café da tarde de sábado quando nunca falta pãozinho caseiro, bolo e rosquinha de coco, preparou dois bolos de aniversário. Um deles ela dividiu e levou para os dois filhos e os sogros e para os irmãos, sobrinhos e amigos que moram na cidade de nome diminutivo onde ela nasceu e viveu toda sua vida. A pessoa saía de casa para ver quem estava buzinando no portão e se deparava com a aniversariante oferecendo um pedaço de bolo. Ou uma dose de carinho, como eu prefiro acreditar. Essa é minha tia Marisa.
O outro bolo ela dividiu com o pessoal do trabalho. E logo depois de comemorar, a tia foi afastada, porque assim que completou 60 anos, entrou para o grupo de risco e deve guardar a quarentena em casa. Assim, sem mais nem menos, a tia caçula, incansável na arte de entreter a sobrinhada, já tem preferência em filas. Esse tal de tempo realmente alcança a gente.
O outro bolo ela dividiu com o pessoal do trabalho. E logo depois de comemorar, a tia foi afastada, porque assim que completou 60 anos, entrou para o grupo de risco e deve guardar a quarentena em casa. Assim, sem mais nem menos, a tia caçula, incansável na arte de entreter a sobrinhada, já tem preferência em filas. Esse tal de tempo realmente alcança a gente.
E não é que nesse aniversário, além de ganhar o título de "idosa", a tia ganhou um título muito mais especial: o de avó. Essa é uma história linda de adoção que está apenas começando, mas que trouxe uma felicidade tão merecida para esses tios, num momento de pouca alegria para todo mundo. Se tem duas pessoas que nasceram para serem nonnos são esses tios tão presentes em nossas vidas. E estamos todos felizes por eles.
Tenho certeza que os netos vão comer muito bolo de chocolate gelado e muita rosquinha de coco, a preferida da minha mãe e uma das primeiras receitas que eu aprendi a preparar quando era adolescente.
Na minha família, as tradicionais fatias húngaras têm um nome muito mais legal e carinhoso: são as queridas e deliciosas rosquinhas da tia Marisa.
Separe:
2 copos de requeijão de leite morno
Meio copo americano de óleo ou 2 colheres de sopa de manteiga
10 colheres de sopa de açúcar
2 pacotinhos de fermento biológico fresco
2 ovos
1 pitada de sal
Cerca de 1 quilo de farinha de trigo
Dissolva o fermento no leite morno.
Numa vasilha, acrescente o açúcar, os ovos, o sal e o leite com fermento. Misture bem.
Acrescente a farinha aos poucos, até dar ponto de amassar.
Sove bem até formar uma massa lisa.
Deixe a massa descansar até dobrar de tamanho.
Para o recheio
Separe
1 lata de leite condensado
100 gramas de coco ralado
1 colher de sopa de manteiga
Leve ao fogo e cozinhe até soltar do fundo da panela. Não deixe endurecer. Se endurecer, acrescente um pouco de leite na mistura.
Montando a rosquinha
Após o descanso, abra a massa com o rolo numa espessura que permita enrolar. Espalhe o recheio e enrole como se fosse um rocambole.
Corte as fatias de rosquinha da espessura que desejar.
Posicione as rosquinhas numa assadeira untada, com distância suficiente para a massa crescer novamente.
Preaqueça o forno a 180 graus Celsius.
Quando a rosquinha dobrar de tamanho, leve ao forno para assar por pelo menos 30 minutos ou até que estejam douradas.
Enquanto as rosquinhas assam, faça uma calda:
Leve ao fogo baixo meia xícara de água e uma xícara de açúcar e deixe o açúcar dissolver na água sem mexer. Quando não sentir mais nenhum grão de açúcar na água, a calda está pronta. Isso deve demorar cerca de dez minutos.
Molhe as rosquinhas ainda quentes com a calda e espere esfriar para degustar.
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