Uma tragédia: esse é o momento que vivemos no país em que nascemos. Nossa família perdeu amores. E outros amores lutam para sobreviver. A gente se une seguindo protocolos para passar o tempo enquanto as notícias não chegam. E com a gente tem um amorzinho em forma de menina que nos faz rir quando a gente quer mesmo é chorar.
Eu fui passar uns dias na casa da prima para consolá-la mas foi ela quem me consolou. E quando cheguei na casa dela, a pequenininha estava preparando um bolo para me receber. Um bolo recheado. Um bolo pão de ló com recheio de brigadeiro branco e ganache de chocolate meio amargo que ela pensou e executou quase sozinha, porque contou com a supervisão da mãe, que se dividia entre o trabalho remoto e a cozinha. Uma delícia de bolo da minha confeiteira preferida.
Fiquei uns dias lá com as primas porque precisava de companhia. Precisava de uma rotina que não era a minha. Precisava não ficar sozinha em casa pensando besteira.
Além do bolo, teve bolachinhas amanteigadas, teve pizza e teve macarrão. Teve cosquinha no pé e bambolê. Teve ovo de Páscoa recheado com alfajorzinho.
A fofurinha também quis fazer a janta: estrogonofe de frango. Preparou até o arroz para acompanhar. Claro que a mãe estava atenta a tudo. Até quando ela se espantou com o vapor que subiu da panela quando ela completou com água para cozinhar os grãos.
Eu fiquei ali intrometida na rotina daquela família que também é um pouco minha. Enquanto tentava entender o que está acontecendo com a gente. Como chegamos ao ponto que chegamos na pandemia global.
Em meio a séries infantis do netflix e aulas remotas sobre o dia da água, com direito à Isa apresentar seu trabalho em grupo, eu recebo a foto da minha mãe tomando a primeira dose da vacina. Imediatamente liguei para ela e chorei. Chorar é o que faço de melhor ultimamente.
No dia seguinte chegou a vez do meu pai. E agora estou mais tranquila. Melhor será daqui 15 dias quanto receberem a segunda dose. Quando todos estivermos imunizados, mesmo que demore.
Melhor será quando todos nossos doentes voltarem para casa para terminarem suas recuperações ao lado dos seus. Tão injusto lutar pela vida sozinho numa cama de hospital. Tão solitário: para quem luta e para quem torce do lado de fora.
Eu me apego à Maria e rogo que ela passe na frente sempre. Eu rezo para São Francisco para que onde houver desespero, que eu leve a esperança. Eu oro a São Miguel: defendei-nos no combate.
Separe:
Para um pão de ló
4 ovos
120 gramas de açúcar
1 colher de café de essência de baunilha
120 gramas de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
Bata as gemas com o açúcar e acrescente a baunilha.
Acrescente a farinha e o fermento e por último as claras em neve.
Leve a uma assadeira redonda pequena untada com óleo e farinha de trigo. Asse por 30 minutos a 180 graus Celsius.
Espere o bolo esfriar bem e corte ao meio.
Molhe cada metade com uma calda de sua preferência. Reserve.
Para o brigadeiro branco
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga
Misture o leite condensado e a manteiga numa panela média e leve ao fogo médio mexendo sempre até desgrudar do fundo da panela. Deixe esfriar e reserve.
Para a ganache
Derreta 200 gramas de chocolate meio amargo no micro-ondas de 30 em 30 segundo até derreter por completo. Acrescente uma caixinha de creme de leite e misture bem.
Numa assadeira ou prato, coloque uma metade do bolo e recheie com o brigadeiro. Coloque a outra metade e cubra com a ganache.
Depois é só se lambuzar!
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